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sábado, 20 de julho de 2013

"Algo que você não consegue entender" - Álvaro pt.2 de 2

           No outro dia, por volta das sete da manhã, cerca de duas horas depois de pegar no sono, o sol da manhã invadia o pequeno quarto fazendo Álvaro acordar. Como sempre, nenhuma das duas meninas estava ali, o que entristecia o rapaz. Lembrou que Geraldo, seu melhor amigo estava, provavelmente, dormindo na soleira da porta de entrada. Atravessou o apartamento revirado. Sorriu com as lembranças da orgia recente e abriu a porta. Geraldo assustou-se e acordou de supetão. Estava dormindo sentado e escorado na porta e, quando Álvaro abriu-a, quase caiu de costas. Álvaro deu uma risada.
            - Vem, companheiro, vamos para dentro.
            - Demorou, porra.
            - Obrigado por liberar o AP...
            - Me deves três, já.
            Nesse meio tempo, Jéssica sai de um apartamento vizinho e passa, encarando Álvaro, com uma expressão de espanto no rosto. Assim que o rapaz olhou, ela desviou o olhar imediatamente, e apertou o passo em direção ao elevador.
            - Bom dia, Jéssica – cumprimentou a bela morena que trajava um vestido curto (até os joelhos) branco estampado com grandes flores púrpuras e generosamente decotado.
            A mulher não respondeu. Inclusive desistiu de esperar o elevador e rumou para as escadas, que assim que começou a descê-las, fazia com que o “toc-toc” dos sapatos de salto diminuíssem gradativamente o volume.
            - Sempre te esnoba depois da noitada... – Geraldo falou.
            - É... – concordou tristonho.
            Em seguida, Paula saiu de outro apartamento, vestida com seu uniforme colegial. Vestia uma camisa social branca. Era possível ver o sutiã, comportado, da menina de quinze anos. Uma saia xadrez vermelha e verde escuro, meias brancas e tênis (All Star) completavam a vestimenta.
            - Bom dia, Paula. Gostou da noite? – Cumprimentou a menina que, assim que o viu, correu até o elevador, que recém havia chegado ao andar.
            - Vai te foder, seu otário. – Passou gesticulando com o dedo médio erguido e os cabelos louros e molhados que deixavam manchas úmidas na camisa à altura dos ombros. Entrou no elevador, apertou o térreo e pressionava repetida e ansiosamente o botão que comanda o fechamento das portas automáticas, sem desfazer a cara de poucos amigos e o gesto obsceno.
            - Sempre uma simpatia... – Geraldo falou ao entrar no apartamento.
            - Eu não entendo... A noite sai até para assassinar comigo. Durante o dia, manda me foder ou fingem que não me conhecem.
            - Por isso prefiro os homens... – Respondeu o amigo – Agora fecha essa merda de porta que eu preciso dormir na minha cama. Estou todo dolorido. - Álvaro fechou a porta.

            O sol já se punha, quando batidas na porta despertaram Álvaro de seu descanso. Abriu-a e as meninas entraram sorridentes, cada uma dando-lhe um caloroso beijo. O rapaz recuperou-se da depressão da manhã instantaneamente. Como lhe faziam bem essas duas mulheres!
            - Adivinha só! Descobri uma farmácia bem fácil! – Paula falou
            - Como assim? – perguntou o rapaz.
            - É só um velho que fica lá à noite. Passamos na frente ontem, lembra? – Jéssica emendou
            - Ah não! Não vou matar mais ninguém!
            - Relaxa, não precisa matar ninguém. É só pegar a grana e sair... É SÓ UM VELHO, ÁLVARO! – Geraldo tranquilizou, levantando-se da cama.
            - Ok, ok! Mas sem arma dessa vez!
            - Você que sabe... – falou o amigo.

            Assim, o quarteto foi às ruas. A lua era minguante e os carros ainda engarrafavam o trânsito. Um cachorro mijava num poste e barulhos de tiros vindo de um beco ecoavam no quarteirão.

terça-feira, 16 de julho de 2013

"Algo que você não consegue entender" - Álvaro pt. 1 de 2

            - Nossa... Ficou perfeito! – Elogiou Jéssica, morena com vestido negro sensual colado ao corpo.
            - Eu, definitivamente, não teria feito melhor – confessou Paula, loira e com uniforme colegial.
            - Gênio. – Geraldo elogiou, de forma indiferente, como de costume, mas Álvaro sabia mais que ninguém, o quão raro era isso, o que amenizava um pouco a sua ansiedade, nervosismo e culpa. Vestia uma camisa verde escura justa de mangas longas, cachecol cinza e calças jeans também apertadas. Era um tipo bem franzino, cabelo raspado e óculos lilás.
            - Mas foi um erro! Eu não deveria ter feito isso! – Álvaro queixou-se. Vestia uma camiseta preta desbotada e um jeans surrado e rasgado nos joelhos.
            - Definitivamente isso não foi um erro... – Paula falou – Nossa! Estou até excitada. E você, Jéssica?
            - Se eu pudesse, transaria aqui e agora! - respondeu a colegial.
            - Vocês não tem jeito mesmo... – Geraldo falou em tom ainda indiferente.
            - Que merda! Que merda! Porra! Olha o que vocês fizeram eu fazer! – Esbravejava Álvaro.
            - Ué... Como se tivesse sido um de nós quem botou essa arma na tua mão... – Jéssica debochou.
            - É... Vamos, Álvaro... Vamos para casa... Estou precisando de você! – Miou Paula, puxando-o pelo braço indo em direção a saída da pequena loja de conveniências.
            - Que nojo... – Geraldo esboçou a primeira reação desde que chegaram ao local. Tornou a olhar para o corpo estatelado de barriga para cima e braços e pernas abertas, assemelhando-se a uma estrela. Estrela vermelha de sangue, negra como a morte, com alguns miolos na parede ao fundo e um pequeno buraco na testa. – bem no meio dos olhos... – Admirou mais uma vez e medindo com as mãos. Quando as duas mulheres e Álvaro alcançavam a porta, perguntou: - Não está esquecendo de nada não?
            - Puta merda! O dinheiro! – Álvaro correu até a caixa registradora. – Porra! Só tem cinquenta reais aqui! Vocês me fizeram matar esse homem por apenas cinquenta reais! – Esbravejava novamente.
            - Duas mulheres, do nosso calibre – Jéssica apontou para os seus seios e aos de Paula – Estão implorando para que vocês as leve para casa para que possamos foder enlouquecidamente pelo resto da noite, do jeito que você sempre sonhou, e estás preocupado com a morte de um gordo qualquer que tu nunca vistes na vida inteira? Era só o que me faltava...
            - Finalmente decidiu jogar no meu time? – Debochou Geraldo.
            - Vão se foder! – Retrucou Álvaro, mostrando-lhes o dedo médio.
            - E é isso que eu estou pedindo para que você venha me ajudar a fazer! – Paula retornou até Álvaro e novamente o puxou. Com mais ímpeto dessa vez.
            - A polícia pode chegar a qualquer momento... Vamos de uma vez. – Geraldo retornou ao seu tom indiferente.
            - É mais fácil aparecer uma testemunha do que a polícia... – Retrucou Jéssica.
            - A mocréia tem razão, Álvaro. Vamos. – Geraldo comentou. Jéssica não deu ouvidos e, dessa forma, Álvaro, ainda consternado e com adrenalina pulsando em seu sangue, deixou a loja, com as duas mulheres abraçadas em cada um de seus braços e com Geraldo atrás, olhando com ar de reprovação aquele afeto heterossexual.

            Ao chegar no apartamento, as meninas cumpriram sua promessa. Transaram loucamente durante a noite toda em um ménage que deixaria qualquer homem boquiaberto. Daqueles que extrai ao máximo de toda a mente libertina que existe mundo afora. Geraldo ficou do lado de fora do apartamento, degustando um vinho suave que roubara da mercaria assaltada, escutando músicas em seu mp3 player, e privando-se do nojo da relação carnal que acontecia do lado de dentro.

sábado, 26 de maio de 2012

"Algo que você não consegue entender" - Vivian pt.4


Para ti, meu amigo leitor, que perdeu os capítulos anteriores, clica aqui para o 3, aqui para o 2 e, aqui para o 1.

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            Vivian colocou o colete ainda no corredor, em meio às lágrimas. Achava que estava apaixonada pelo amigo. Na verdade estava. Mas saber que ele o trataria da mesma forma que Jorge foi um golpe muito duro em seu coração. O elevador não estava ali, então, resolveu pegar as escadas, colocar os sapatos, e chamar o mesmo no andar de baixo, para despistar Lucas, se ele viesse a procurá-la. Parou perto da porta corta fogo do andar inferior e colocou os sapatos e percebeu que tinha esquecido a meia-calça no apartamento do ex-amante. Entrou no Hall do elevador e apertou o botão. Não esperou muito e ele havia chegado. Sua visão estava embaçada. Lágrimas rolavam pelo seu rosto. Ajeitou o cabelo no espelho do elevador e enxugou as lágrimas, mas novas vinham à tona. Jogou o cabelo no rosto, na tentativa de esconder o choro.
            Chegando ao térreo, passou reto pelo Seu Joaquim, que se despedia, sem resposta. O passo era apressado. O porteiro entendeu que a moça não estava de bom humor e isso não o afetou. Decidiu que gostava dela de qualquer forma. Assim que ela se aproximou da porta, apertou o botão da trava eletrônica. Ficou orgulhoso de sua agilidade, podendo ajudar a pobre e linda donzela.
            A mulher ganhou a rua. Agora não tinha ninguém olhando e continuava chovendo forte. Resolveu não tentar conter mais a agonia em seu coração. Percebeu que soluçava quando errava o buraco da fechadura da porta do carro, devido aos espasmos. Abriu a porta, entrou e bateu-a com força involuntária. Tentou se acalmar um pouco. Dirigir dessa forma e nessas condições climáticas não era bom para ninguém. De certa forma ela queria que Lucas viesse ao seu encalço e que lhe pedisse perdão... Na verdade, queria que ele apenas viesse. Esperou um tempo que não soube precisar. Lucas não veio, então ela deu partida no carro, deu o pisca para a esquerda e tomou a rua.
            Quando deu por si, estava na frente da casa do noivo. Estacionou na frente da garagem. Respirou fundo. Olhou-se no espelho. Ainda estava com uma cara péssima. Não se importou. Pegou suas coisas que estavam no banco do carona. Viu que Lucas tinha ligado. Apertou no botão “cancelar” e os ícones de chamadas não atendidas e mensagens recebidas desapareceram. Abriu a porta da casa e entrou.



FIM

terça-feira, 22 de maio de 2012

"Algo que você não consegue entender" - Vivian pt.3


  Se tu perdestes as duas primeiras partes, clica aqui para a 1ª e aqui para a 2ª
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          - Então, o que querias conversar? – Lucas se aproximou mais da amiga e passou o braço por trás da cabeça dela. Viu que a expressão da bela ruiva se fechou um pouco. Ela se aninhou ao seu corpo.
            - Ai... É o Jorge... Eu não entendo mais, sabe? – Lucas já imaginava que esse seria o assunto. O noivo. Suspirou mentalmente.
            - Não, não sei... O que ele aprontou? Te traiu de novo?
            - Ai, não fala isso... Não gosto de lembrar... Deixa-me muito triste... Eu não sei, sabe? Parece que ele perdeu o tesão por mim... – Lucas fez uma repassada mental no que tinha visto no batente de sua porta e se perguntou: “como que alguém perde o tesão por uma criatura dessas?” – Sabe, ambos chegamos cansados em casa, mas eu... Eu procuro, sabe? Comprei essa lingerie que tu arrancou de mim – abriu um sorriso – ... Apareci vestindo só ela. E ele disse “agora não posso, to ocupado.”. PORRA! Depois que ele terminou de fazer a merda que ele tava fazendo ali, veio com o papo de “vamos continuar de onde paramos?”. Depois que eu já estava quase dormindo e de pijama! Quando que eu uso pijama? Nunca! Olhei pra ele e disse “Tu só pode estar de sacanagem com a minha cara, né?”. Daí ficou todo bravinho. Hoje de manhã, nem falou comigo. Foi direto para o trabalho. Nem me esperou. Acho que nem tomou café, só pra sair mais rápido de casa. – Então tomou mais um gole de vinho. Seu olhar ficou taciturno. Simplesmente nada haver com a mulher de meia hora atrás. “Vai ser hoje!”, pensou Lucas novamente.
            - Vivis... Eu estou a anos te dizendo... Esse cara não é o cara certo pra ti...
            - Mas eu amo ele, Lucas.
            - Ama nada. E, pelo jeito, ele também não te ama! Eu só te vejo reclamares do traste!
            - Ele sabe ser romântico. Ele tem bastante carinho por mim também.
            - Romântico... EU sei ser romântico contigo.
            - O que tu estás querendo dizer? É isso que eu to pensando mesmo, Lucas? – Lucas travou. Tentou falar, mas não sabia o que. Simplesmente, parecia que tinha desaprendido o idioma.
            - Por um acaso tu estás me dizendo que ele não me ama porque tu achas que ele não me come direito?! É isso?! – Lucas pensou, “Puta que pariu! Ela entendeu tudo errado!”
            - N-n-não! Não é...
            - Eu não esperava isso de ti, Lucas! – Se levantou e saiu catando suas roupas e vestindo-as rapidamente.
            - Espere! Deixe-me falar!
            Vivian não disse nada, simplesmente foi se vestindo.
            - Vivi, espera, não vai embora. – Segurou-a pelo braço.
            - Me solta!
            - Espera! Me escuta, porra! – Ambos congelaram. Agora Lucas sabia. Tinha estragado tudo. Uma lágrima brotava dos olhos de Vivian. Ele diminuiu a força em sua mão lentamente. Ela não esperou e desvencilhou o braço com um puxão.
            - Eu não esperava isso de ti, Lu... – Falou com uma voz embargada. – Tu és igual a ele... Por isso que eu achei que eu... – Não completou a frase. Baixou o rosto e saiu
            - O que?! Não! Espera! – Vivian já estava quase totalmente vestida. Só faltavam os sapatos e o colete. Ela caminhava em direção à porta. – Espera, por favor, Vivian!
            Vivian alcançou a porta. Abriu-a.
            - Espera, por favor, Vivi! Eu... – Ela bate a porta na cara do amigo desesperado, enquanto ele se aproximava; E Vivian mal conseguia conter as lágrimas. – Te amo... – Lucas falou com uma voz que morreu rapidamente.


Continua

sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Algo que você não consegue entender" - Vivian pt.2


           - Gosta do que vê? – Vivian perguntou, e começou a avançar em direção dele. Lucas balbuciou qualquer coisa ininteligível e recuou um passo. Vivian fechou a porta, sem desgrudar dos olhos dele e... Não há palavra que descreva melhor do que “agarrou” o amigo e deu-lhe um duradouro e suculento beijo na boca.
            Quando Lucas se deu por conta, estava na cama com a amiga, acabando com o jejum de dois meses desde a última vez que esteve com ela. Estava fora de si. Não sabe como, mas tinha colocado preservativo. Vivian apertava os lábios. Suspirava. Gemia. Ela virou o rosto em direção à porta do quarto do amigo e viu que suas roupas faziam uma trilha até a cama. Sorriu e foi mais uma vez as nuvens, enquanto Lucas a beijava o pescoço e não parava com os movimentos. Não demorou muito e acabou gozando. Lucas terminou logo em seguida e rolou para o lado. Ofegavam. Lucas levantou.
            - Vou ali ao banheiro jogar isso fora. – Falou e trocou um rápido beijo com a amiga.
            - Tudo bem. – Ela sorriu – Volta rápido que eu quero conversar contigo, tá?
            - Claro. Queres beber alguma coisa?
            - Aceito um vinho.
            - Certo, só um momentinho.
            Lucas entrou e saiu rapidamente do banheiro. Foi até seu mini bar, pegou um de seus melhores vinhos e apanhou um saca rolhas. Pensava: “vai ter que ser hoje!”. Principalmente porque, desta vez, sentiu algo bem diferente durante a transa. Tinha sido muito intenso. E ela nunca tinha chegado assim, dessa forma. Totalmente preparada, premeditada, dolosa. Não conseguiu deixar de sorrir. Sacou a rolha, enquanto ouvia Vivian o chamando. Pegou duas canecas. Sabia que era assim que ela gostava de beber vinho. Pegou a favorita dela, uma do Soundgarden que ele tinha ganhado do fã clube brasileiro numa promoção. Serviu o vinho e foi para o quarto.
            Vivian estava sentada na cama, coberta pelo lençol. Abriu um sorriso quando viu que o amigo lhe trazia o vinho em sua caneca favorita. Lucas lhe entregou a caneca, fez a volta na cama e sentou ao lado da amiga.
            - Uau! Esse vinho é maravilhoso!
            - Eu sei, baby.
            - De onde tirasse essa de “baby”? – Vivian deu uma risada depois de falar.
            - Ah, peguei essa mania. É um autor que eu ando lendo.
            - Tudo bem, “Baby” – Debochou, e bebeu mais um pouco.



Continua
Se perdestes a parte 1, clica aqui

domingo, 13 de maio de 2012

"Algo que você não consegue entender" - Vivian pt.1


            Vivian estava dirigindo seu “Kia Soul” vermelho. Tinha sido um dia difícil no trabalho e, agora, chovia forte. Os limpadores estavam a toda velocidade, ao contrário do trânsito. Estava tão lento que acabou parando por um tempo. Bufou. Decidiu ligar para Lucas, o seu melhor amigo.
            - Oi, Lu! É a Vivian! Vai estar sozinho em casa?
            - Vou sim, Vi, mas é que...
            - Estou indo aí! Beijos! – Interrompeu-o, desligou e jogou o celular no banco do carona. Viu que o trânsito não ia ajudar, então, botou um “Green Day”, das antigas, para tocar, no talo. Quando Billie Joe começou a cantar “Burn out”, já começou a bater cabeça, fazendo balançar seus cabelos ruivos e alaranjados e naturais balançarem. Em seguida, passou a tamborilar o volante. Vez ou outra diminuía o ritmo das batidas de cabeça para se concentrar no trânsito.
            Levou meia hora para chegar à casa do amigo. Era um prédio com aspecto sofisticado e luxuoso, porém era velho, mas, ainda assim, se localizava numa área central da cidade, então era suficientemente valorizado. Não teve dificuldades para encontrar uma vaga de estacionamento próxima. Agradeceu aos céus, pois ficaria ensopada. Pensou que não seria uma má ideia. Sorriu maliciosamente com seus lábios pintados provocantemente de vermelho. Abriu a porta do carro, saiu o mais rápido possível e fechou-a, depois, seguiu andando calmamente na chuva. Subiu uma escadaria de dez degraus que dá acesso a porta do edifício. O porteiro lhe reconheceu e apertou o botão, fazendo a trava eletrônica da porta fazer o seu barulho característico. Vivian empurrou-a, fazendo-a abrir, então, entrou.
            - Boa noite, dona Vivian. – Disse o porteiro educadamente.
            - Boa noite, seu Joaquim. – Respondeu simpaticamente enquanto andava em direção ao par de elevadores.
            - Chuvarada, não?! – Perguntou afirmando o porteiro.
            - Veio em boa hora. Fazia muito calor. – Passou pela mesa do porteiro. Ele então se deu conta do que via e ficou um atordoado. Acompanhou o rebolado da jovem de 26 anos, ao compasso do “toc-toc” dos sapatos de salto. Por azar já tinha um elevador de prontidão. Vivian abriu a porta, entrou e esperou o mecanismo de fechamento automático lentamente fechá-la. Joaquim se benzeu.
            Tinha um espelho no elevador. Vivian se olhou. Teve um arrepio. Sentiu que estava perfeita. Seus cabelos estavam pingando água. Deu um jeito neles para que ficassem mais agradáveis ao seu próprio olhar. Suas sardas estavam comportadas e não se manifestavam muito. Não que ela tivesse vergonha delas, pelo contrário. Mas quando se pega sol, elas ficam mais evidentes, e isso ela não gostava muito. Lucas dizia que era parte do seu charme. O elevador chegou ao andar no qual o amigo morava. Abriu-se a porta metálica automaticamente.  A ruiva empurrou a porta gentilmente, pois, poderia ter alguma criança brincando atrás desta, mas, assim que saiu do elevador, viu que não havia nenhuma. Dobrou a direita, foi até o fim do corredor, girou o corpo para a esquerda e apertou a campainha.
            Lucas escutou a campainha e foi atender. Estava frustrado porque Vivian não havia atendido seus telefonemas desde que ela não o deixara terminar de falar a pouco, então, teve de cancelar seus planos. Chegou perto da porta, respirou fundo, pensando na mijada que daria na amiga. Meteu a mão na maçaneta e abriu rapidamente, para demonstrar um pouco de braveza. Assim a porta que abriu, foi totalmente desarmado pelo que viu.
            Era Vivian, sua querida amiga ruivinha, fazendo caras e bocas, toda molhadinha, fazendo uma pose extra sensual escorada no batente da porta. A água da chuva fez o seu sutiã branco com babados transparecer sob a camisa social também branca, que era coberta por um colete preto, que, evidentemente, realçava seu peito. A saia do terno era suficientemente longa para cobrir o que havia até metade das coxas, algo que ela não estava fazendo muita questão de esconder naquele momento. Ela estava de cabeça baixa. Quando a porta abriu, ela começou a levantar a cabeça e, assim que avistou o amigo, que estava sem camisa, deu um sorriso. Lucas estava de boca aberta, o que a deixou mais... Contente ainda.

domingo, 27 de novembro de 2011

"Algo que você não consegue entender" - O médico pt.4

      Após assistir, divertindo-se, a menina tomar em segundos toda a garrafa d'água, Gabriel perguntou:
      - Qual o seu nome?
      - Sara.
     - Que nome magnífico! - Sara não comentou – Você é linda, minha querida... - Sara voltou a chorar – Ora, não chore... O Que houve? - Sara começou a chorar mais sofridamente. Um choro de profunda tristeza, desespero, angústia, sofrimento e uma pitada de raiva – Diga-me, o que há?
      - COMO O QUE HÁ?! COMO O QUE HÁ?! - Sara gelou. Não acreditava no que tinha feito. Era o seu fim...
      Gabriel começou a rir. Foi aumentando até virar gargalhada.
      - Calma, minha querida... Calma... - Foi se aproximando da menina. S cabelos negros lhe caiam na frente do rosto. - Vou resolver tudo agora mesmo. - Sussurrou em seu ouvido.
      Botou a mordaça na boca da menina, que voltou ao seu choro. Levantou-se e foi à dispensa. Pegou uma faca com doze centímetros de lâminia e um pano.
      A visão da faca foi o gatilho pressionado que disparou seu nível de desespero ao máximo. Estaria berrando para ser ouvida a quilômetros de distância, se não fosse a maldita mordaça. Chorava. A cada passo de Gabriel em sua direção aumentava o volume das lágrimas exponencialmente.
      Gabriel chegou ao lado da banheira e encostou a faca no ombro de Sara.
      - Shhh! Se você se mover, eu vou acabar te cortando, entendeu? Essa faca é muito afiada... - pegou uma pequena mecha de cabelos da menina e passou a faca. Mostrou o punhado de cabelos para ela. - Viu? Agora fica paradinha... - E foi para trás da moreninha.
      Puxou a gola da camiseta dela e passou a faca no tecido.
      - Me desculpe se eu machucar o seu pescoço, não é a minha intenção. É que essas roupas estão atrapalhando.
      O tecido ofereceu uma certa resistência, porque Gabriel não queria machucar a menina, mas na quinta tentativa, ouve-se um “rasg” e as costas da camiseta se rasgam. Gabriel foi para o lado direito de Sara, apoiou as costas da lâmina no braço da menina e começou a forçar contra o tecido. Dessa vez não fez muito esforço e o tecido se rompeu. Já tinha pego a medida certa. Repetiu o processo do outro lado.
       Tirou os restos de tecido do que uma vez fora sua camiseta. Agora, as única peça que cobria a parte de cima de seu corpo era um top para ginástica e seus cabelos.
      Sara, nesse momento, começou a rezar.
      Pedia para que o desgraçado a estuprasse e a deixasse ir embora. Ou que fizesse o que fosse, não se importava mais, mas que a deixasse viva. Tanto faz. Só queria viver. Ir para casa. Não cogitava denunciá-lo. É isso. Daria sua palavra de que não chamaria a polícia. Só queria ir para casa. Diria que fora agredida por lunático, desmaiou e acordora assim em um campo, em um terreno baldio. Casa...
      Casa...
      O tarado foi até seus pés e tirou seus tênis e meias. Ele puxou a barra de suas calças pelos joelhos, para cima, com o intuito de tirar a barra das calças de baixo das cordas que amarravam suas pernas. Começou a cortar a da perna esquerda, pelo lado de fora da perna.
      Sara sentia o frio das costas da lâmina da faca. Sentia o frio da porcelana em suas costas. Rezava mentalmente. Tentava falar, mas a mordaça não deixava. E o lunático parecia não se importar se ela tinha ou não algo a dizer. Não chorava mais. Se surpreendeu. Talvez as lágrimas haviam secado.
      - Temos que nos livrarmos dessas calcinhas e desse top agora. - Gabriel falou, assim que terminou de cortar as calças. Sara sentia um nojo profundo do agressor. Começou a gritar. Nada adiantava, é claro, mas tinha raiva do maldito.
      Gabriel voltou às costas da morena e cortou a alça direita da calcinha rosa. Fez o mesmo pelo outro lado. Já com o top, cortou as duas tiras que formavam um X nas costas, na altura do pescoço e depois cortou a tira mais grossa que prende o top ao corpo na horizontal também pelas costas.
      Tirou todos os restos de roupas de dentro da banheira e jogou-os em direção a dispensa.
      - Você é realmente linda, Sara. Muito, muito, mas muito linda! De verdade! Estou fascinado por você! Isso é privilégio de poucas, sabia? - sussurrou olhando-a nos olhos. - Quero você para mim. Para todo o sempre!
      Então, Gabriel, lentamente, enfiou a faca no abdome da jovem, que gritava, abafada pela mordaça. Repetiu o processo mais duas vezes, dessa vez na coxa direita e depois na panturrilha esquerda. A menina chorava. Se retorcia. Urrava
      - Agora vai passar, meu bem. Vai passar... Shhh... Pegou o pano que a amordaçava e a estrangulou. Assim que desfaleceu, ele continuou com a penetração da lâmina.
       Não contou o número de vezes
      Seu corpo foi encontrado – 2 dias depois - numa vala na estrada que faz a ligação com a cidade vizinha mais próxima. Estava nua e com inúmeras perfurações de quase 3cm de espessura por 12cm de profundidade, espalhadas por todo o corpo, menos rosto, seios e genitália.
      O fazendeiro que a encontrou disse à polícia, em seu depoimento, que na manhã daquele dia, por volta das cinco da manhã, os cachorros não paravam de latir e ele resolveu levantar, com arma em punho, para averiguar o que poderia ser. Sua primeira reação foi um choque, mas ao “cair a ficha” chorou. Voltou correndo para casa, chamou a polícia e rezou... Suplicou, na verdade, para que o... Agressor, pelo menos, tenha a estrangulado antes de fazer as perfurações.
      Não havia sinais de estupro.




FIM





Confira aqui o contato de Andy Araújo para a confecção de logos e ilustrações em geral.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"Algo que você não consegue entender" - O médico pt.3

    O cabelo da bela morena estava despenteado e preso em um rabo de cavalo. Gabriel, com cuidado, soltou o cabelo da moça e guardou o rabicó no bolso do tapa pó.
    Tirou a luva direita e tocou o rosto da jovem. Liso. Macio. Quente. Suave. Perfeito. Baixou a máscara até o queixo.
    - Hey, menina. Acorde. Acorde... - Gentilmente ele dava alguns tapinhas no lado não escoriado de seu rosto. Não obteve resultado. Se levantou “Ah, se aquele miserável quebrou alguma coisa... Eu juro que mato o infeliz! Eu juro!”, pensava alto. Foi até a bateria e pegou o banquinho. Colocou ao lado da banheira, ajustou-o para ficar um pouco mais alto, sentou-se e tentou acordar a moça novamente.
Dessa vez, Gabriel foi menos gentil. Com a mão direita, empurrou a menina, fazendo-a balançar e repetiu um pouco mais alto os “Acorde's”.
    Agora deu resultado. A menina gemeu e lentamente abriu os olhos. Tentou se mexer. Não conseguia. Arregalou os olhos. Perdida, olhava em todas as direções, mas só conseguia ver a gelada louça branca. Tentou falar, mas com a mordaça em sua boca só se ouvia “mmmff! Humpf!”. Desesperada, começou a chorar. Quando Gabriel a tocou ela estremeceu e ampliou o seu choro acompanhado de um suplício abafado.
    - Calma... Calma... Está tudo bem... Vai ficar tudo bem... Venha... Deixe-me ajudá-la. Vou ajuda-la a se sentar, tudo bem? - Falava com uma voz doce e suave.
    A menina balançava a cabeça como quem disesse “não”. Gabriel não se incomodou com as negativas dela, agarrou-a por baixo dos braços e sentou-a encostada na ponta da banheira.
    - O meu nome é Gabriel. Eu sou médico. Não se preocupe. Aquele brutamontes vai pagar pelo que fez em você, tudo bem? - falva olhando-a serenamente nos olhos.
    A moreninha tinha um olhar aterrorizado esculpido na face. Era tocante ver o nível de medo que uma pessoa podia expressar apenas com os olhos. As lágrimas não paravam de jorrar dos olhos. Tremia dos pés a cabeça. Respiração descompassada. Não respondeu a pergunta.
    - Está com sede?
    Agora respondeu. Ascentiu com a cabeça, enquanto apertava os olhos, fazendo mais lágrimas espirrarem.
    - Já volto. - Gabriel foi até uma segunda porta que tinha no recinto. Era como se fosse uma dispensa na parede. Apanhou uma garrafa d'água e um canudo. Abriu a garrafa e colocou o canudo.
    - Eu vou tirar essa mordaça, ok?
    Ela ascentiu. Devagar, Gabriel puxou a mordaça e soltou-a. O trapo ainda estava preso no pescoço da jovem.
    - Me ajuda, moço, pelo amor de Deus! Me ajuda... Me ajuda! - Gabriel chegou com a garrafa próxima dos lábios da jovem. Ela começou a sorver a água através do canudo, mas antes de chegar a boca ela interrompeu a ação.
     - Pode confiar em mim. Veja. Não tem nada na água. - Gabriel bebu um bom gole. - Viu? - Abriu a boca mostrando que tinha engolido.
    - Por que não me desamarra? - Perguntou assustada.
    - Já vou fazer isso, minha querida. Seja paciente.
    Então, sorriu.





Confira aqui o contato de Andy Araújo para a confecção de logos e ilustrações em geral.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

"Algo que você não consegue entender" - O médico pt.2

    O estúdio é todo forrado com material isolante acústico e coberto por uma espécie de carpete preto, inclusive nas paredes. Tinha uma mesa de som com 10 canais, uma bateria, baixo, duas guitarras, três pedestais com um microfone em cada, um amplificador para cada guitarra e baixo, quatro caixas auxiliares para melhor distribuir o som dentro da peça junto com as vozes, e um armário de metal de duas portas.
    E tinha uma banheira no meio do recinto.
    Uma banheira, dessas antigas, branca e com patas douradas de ferro.
    Gabriel caminhou vagarosamente até a banheira e viu que tinha uma jovem ali. Ela estava com as mão amarradas às costas, assim como os pés, que também estavam amarrados um no outro. Tinha um pedaço de pano servindo de mordaça na boca. Estava desacordada.
    Foi até o armário de metal. Pegou um par de luvas, um par de sacos plasticos, um tapa pó, uma máscara, dessas que os médicos e dentistas usam, uma viseira de acrílico, semelhante aos EPI's de marcineiros e uma touca de plástico verde clara.
    Vestiu todo os aparatos. Cobriu seus pés com os sacos plásticos e foi até a banheira.
    Ficou admirando a jovem. Ela vestia uma blusa branca com uma estampa da Betty Boop. Calça suplex azul modelando um corpo já deliciosamente modelado. Seus cabelos eram negros. Se ela estivesse deitada no chão do estúdio, poder-se-ia dizer que a menina não tinha cabelo, tamanho seria o mimetismo. Calçava tênis branco com detalhes em rosa. Com certeza ela estava praticando exercícios.
    Gabriel estava extasiado com a bela menina. Ficou adimirando-a por um tempo. Viu sangue em sua boca. Com todo o cuidado, girou a cabeça da menina levemente para a esquerda e para longe da loça da banheira. Pôde ver em hematoma em sua bochecha direita. Tocou o lábio dela. Viu que ela teve alguma reação. Estacou. Não. Ela não acordou. Puxou suavemente o carnudo lábio da morena para baixo e viu que estava cortado. “Eu disse pra ter cuidade... Aquele filho da puta vai ver só...”, pensou. Os dentes estavam intactos. “Menos mau.”

terça-feira, 1 de novembro de 2011

"Algo que você não consegue entender" - O médico pt.1

    Chegou em casa depois de um dia desgraçado de trabalho. Eram sete da noite, mas, para a sua mente, estava mais para uma da manhã.
    Abriu a porta de casa, que com o seu movimento, arrastou um pedaço de papel branco dobrado ao meio. Entrou, arrastando-o para dentro com o pé direito. Fechou a porta e se baixou para pegá-lo.
    “Entregue”, ele leu ao abrir o bilhete. Estava escrito com letras recortadas de alguma revista.
    Sentiu uma euforia. Estava revigorado. Contente, alegre, nas nuvens, deleitado e mais qualquer outro sinônimo, perfeito ou não. Sentiu que, apesar de ter sofrido durante o seu dia de trabalho na receita federal, ele veio a valer a pena.
    Olhou para a sua casa. Não era um homem de grandes posses, apesar de ser médico. Tinha um bom emprego – era médico - mas a construção da casa e o seu estúdio nos fundos, foram responsáveis pela venda do carro, mas morava sozinho e a casa acabava por não render grande ônus. Era uma boa casa em um bairro mais afastado da cidade. Mas um bairro bom. Classe média alta. Grandes terrenos, grandes casas. A sua, no entanto, era a menor delas. Não se incomodava.
    Sala e cozinha eram divididas apenas por um balcão, dando um aspecto semelhante ao de um bar, com os altos bancos de madeira, mas com almofadas no acento. Boas almofadas. Pretas. Não tinha carpete. Nem no quarto. Gostava, mas era mais difícil de limpar, fora que a poderia acabar manchando, quando algum líquido, por exemplo, caísse em cima. Por isso usava um piso flutuante de madeira clara. Um bege meio creme... Não sabia dizer ao certo que cor era aquilo. Simplesmente achou bonito e escolheu. Tinha uma mania de limpeza e tudo deveria estar impecável. Para não se martirizar, preferiu esse “atalho”.
    A secretaria eletrônica, que estava em cima do rack, ao lado da televisão LCD de 32”, alertava para uma mensagem gravada. Apertou o botão para que ela tocasse, enquanto começava a se despir, desabotoando os primeiros botões da camisa vermelha, sua cor favorita.
    - Oi, Gabriel... - Uma voz rouca e sedutora emanava do alto falante, fazendo aquele “oi” arrastado – aqui é a Patrícia. Vamos combinar algo? Me liga, viu?! Tens o meu número? 8407-845-42. Saudades. Aquele beijo!
    Pensou “Patrícia?...”. Se deteve e pensou um pouco. Sorriu. “Ah, sim... Patrícia... Ôôôô Patrícia...”. Abriu um sorriso largo. Essa era uma loira com quem havia se deitado no fim de semana passado. Um espetáculo de mulher. Com roupa já era uma delícia. Sem então... Foi de difícil abordagem, mas assim que conseguiu, a festa foi feita, e o melhor, no apartamento DELA. Pernas longas e seios fartos e empinados. Não era silicone.
Entrou no banho e ali ficou por vinte minutos. Deixava a água morna bater com força em seus músculos doloridos de um dia cheio. Lembrou do bilhete. Abriu um grande sorriso. Desses de orelha a orelha. “Não foi mesmo um mal dia.”
    Saiu do banho, pegou umas roupas velhas no guarda roupas e vestiu-as. Fazia calor e o dia fora lindo e ensolarado. Agora, a noite trazia uma maravilhosa e confortável brisa marítima. Sentiu isso ao abrir a porta dos fundos de sua casa. Atravessou o pátio e foi até o seu estúdio. Abriu a porta e entrou.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"Algo que você não consegue entender" - Mônica e Alfredo pt.4

    Alfredo apertou o botão para o último andar. Ficaram em silêncio até o elevador parar no destino que escolheram. Não foi um silêncio constrangedor. Ambos estavam fazendo uma introspecção. Alfredo buscando coragem e Mônica, em busca de não derreter ali mesmo. Olhava para Alfredo. “E daí que é muito mais velho que eu?! Me tratou melhor do todos da minha idade! E até que ele não é feio como a maioria diz. É um ótimo cara E pões ótimo!”. Corou.
     O elevador chegou
    Verificaram se o mesmo se encontrava parado no andar, saíram e dobraram a esquerda. Tomaram a escadaria e subiram mais um andar, para a cobertura, onde o elevador não tinha acesso. Alfredo saiu primeiro. Mônica botou os pés na cobertura, arregalou os olhos e abriu a boca.
      Lindo!
    O céu assumia uma cor alaranjada. A ausência de nuvens e de bloqueios no horizonte tornava-o extremamente amplo e profundo, como se estivessem mirando o fundo de um oceano de águas extremamente cristalina. E como se este estivesse vindo de encontro a suas faces, causando um frio na barriga. Uma sensação bizarra de estar caindo para cima.
    A água da Lagoa que cerca a cidade em todas as direções - exceto oeste – refletia o alaranjado. Notando isso, Mônica teve, agora, a sensação de estar em uma outra dimensão. Um lugar onde não existia cima nem baixo. Era essa a sensação, pois o céu se unia a lagoa e a junção das cores apagava a linha do horizonte. Girou a cabeça levemente a esquerda e conseguiu avistar uma ilha. Teve um ligeiro alívio, pois essa ilha lhe fez lembrar onde ficava o “em baixo”. Essa ilha contrastava lindamente com o céu e lagoa alaranjados, pois era de um verde exuberante e imenso. Era o maior pedaço verde dentre os três existentes em sua visão. Apertando um pouco os olhos, era possível ver na ponta superior dos verdes, uma cor amarelada, que dançava ao sabor do vento, característica dos juncos. Outras plantas completavam a beleza da vegetação estuarina como pequenos arbustos que não conseguia recordar o nome.
    A brisa, vinda da laguna, tocava com força moderada os cabelos de Mônica, fazendo-os balançarem graciosamente. Incrivelmente, era um dia de pouco vento. Perfeito.
Alfredo olhou para a paisagem e depois para Mônica. Repetiu a ação e, então, afastou-se da menina e chegou próximo ao parapeito. Olhou novamente para a paisagem e depois para a menina. Olhou para a rua lá em baixo e, mais uma vez, para Mônica.
    - É, prefiro essa imagem. - E apontou para Mônica, com um sorriso nos lábios e um pouco corado. A menina baixou a cabeça, encabulada.
    - Pára... - Miou.
    - Queria te agradecer, Mônica, pelo melhor dia da minha vida.
    - Que isso, Alfredo... - ainda encabulada e olhando para baixo.
    - Fala sério. Nunca fui tão feliz! - Mônica foi se aproximando. Alfredo abru os braços – Sente essa brisa?
    - Uhum! - Assentiu enquanto se aproximava, agora de cabeça erguida.
    - Fica melhor ainda com o seu cheirinho, que ela me trás até aqui.
    - Pára, Alfredo... - Miou novamente e baixou a cabeça, mais uma vez vítima de um rubor.
    - Adeus, Mônica. - Ela estacou e ergueu a cabeça de sopetão. Não viu nada. Correu até o parapeito. Alfredo caia. Sorria. Estava feliz.
    Caia, caia e sorria.
    De braços abertos.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

"Algo que você não consegue entender" - Mônica e Alfredo pt.3

    Alfredo passou o dia inteiro mexendo no celular. Fuçava. Ria. Fuçava novamente. Ria mais um pouco. Se pudessem, os outros rapazes o matariam. Ali. Naquele momento. Outros passaram a respeitá-lo. Instantaneamente. José, por exemplo, foi até ele com um sorriso no rosto. “Respeito.”, ele disse. Cerrou o punho e deu um soquinho no punho também cerrado do Alfredo. Outros, pareciam mulherzinhas invejosas. Só faltavam fazer aquelas caras de nojo e levantar o nariz. Eu fiquei pensando que nunca, jamais, em hiótese alguma eu veria alguém invejando o Alfredo no quesito “mulher”. Acho que fiquei com um pouco de inveja também, não sei dizer. Mas não acreditava em eus olhos. Isos que eu era o único da loja que se podia dizer que era amigo dele. Na verdade, eu era o único cara que conversava com ele. Bem, depois do José, ao dizer “respeito”, eu era o único.
    Algumas das “marias invejosas” vieram me perguntar se eu sabia o que diabos se passava.
    - Ah, não fode, meu. Pra que esconder? Fala aí
    - Não sei, cara.
    - Tu és o único que conversa com esse cara. Vamos, diga o que há, sim?
    - Não sei, cara.
    - Aff...
    Simplesmente não acreditavam em mim.
    E assim foi, até Alfredo encerrar seu expediente. Ele me deu tchau e me abraçou.
    - O que tu vais fazer? - Perguntei.
    - Vou me encontrar com ela... - ele estava muito nervoso – Na casa dela. - Acho que fiquei nervoso quandoe ele disse isso. Nervoso por ele. Inveja também. Definitivamente. E embasbacado.
    - B-boa sorte...
    - Valeu... Amanhã eu te conto como foi.
    - Não tem expediente.
    - Tomando um chopp.
    - Ah, ok então. - nunca tinhamos combinado nada disso.
     Todos os fatos agora não foram presenciados por mim, e sim relatados.
    Alfredo foi no café da Clô e repetiu o pedido da manhã. Deixou mais da metade no prato e nem tocou no café. Quinze minutos depois estava na frente da casa dela.
    Era um sobrado bege com porta e janelas brancas. Tocou a campainha e esperou. Suas mãos tremiam. Barulho de chave na porta. Ele tinha pedido para a menina matar aula e ela acatou. Ele suava. Ela abria a porta com um sorriso no rosto. Alfredo entrou.
     Uma hora depois, os dois sairam da casa dela. Caminhavam pela rua. Riam.
    - Se eu soubesse que tu eras assim, Alfredo, já podíamos ter feito isso mais vezes.
    - Desculpe, é que só hoje eu consegui criar a coragem.
    - Sou tão horrível assim de encarar que é preciso criar coragem? - Ela fez beicinho.
     - NÃO! Não... Muito pelo contrário... - Ele suava.
    - Estou brincando, seu bobo. - ele ficou aliviado – Onde vamos agora? - ela pegou em sua mão e fez uma carinha de anjo.
    - Deixa eu ver que horas são... - consultou o relógio – Está perto do pôr-do-sol. Sei de um lugar ótimo! Vem comigo! - Puxou-a pela mão e apertou o passo.
    Chegaram ao pé do edifício mais alto da cidade, o Léfè. 60 metros de altura. Entraram e dirigiram-se até o elevador.
     - A coisa mais romântica que fizeram comigo foi me levar no shopping pra comer pipoca e assistir a um filme de comédia. - Ela deu uma risada.
     - Crianças... Eu posso te garantir que hoje vais er inesquecível – Deu um sorriso que derretou na hora o coração da menina.
     Entraram no elevador.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

"Algo que você não consegue entender" - Mônica e Alfredo pt.2

Buenas, pessoal... Aqui vai a continuação de um conto que eu to devendo a alguns meses já. Desculpas para quem gostou e estava querendo saber a continuação da história de Mônica e Alfredo. Para os que nem lembram e querem saber, clique aqui.

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    Nosso café chegou e nós falávamos trivialidades. Ele queria porque queria que eu assistisse aquela série “Desperate house-alguma-coisa”, mas eu ainda insistia que não iria fazer isso.
    - Me diz, cara. Eu já estou a ponto de ter um troço aqui! O que tu vais fazer? - Não conseguia entender a excitação nem a curiosidade.
     - Já disse, só lá na F.
    - Mas que merda... - Protestei.
    - Só mais duas mordidas no meu sanduíche e vais saber. - Eu já tinha terminado o meu café.
    Assim, duas mordidas e uma “pagada” de conta depois, estávamos na F. Fomos até o vestiário, pôr os uniformes.
    Há um mistério em relação ao Alfredo. Ele não é assim, descontraído, extrovertido... Feliz... Ele tem 36 anos e nunca foi visto, pelo menos durante os cinco anos que eu conheço ele, com uma mulher. Existem algumas... “teorias”... Em relação a ele. Ouvi caras apostando uma vez sobre isso. Literalmente apostando. E alto! Cem reais. As opções eram: 1) Viúvo; 2) Traumatizadamente divorciado; 3) Virgem; e 4) (acreditem se quiserem) Pedófilo. Apostei na 3, mas não conseguiu-se ainda nenhuma prova de nada disso. Minha teoria: Apenas olhando a pobre alma. Acho que ninguém, hoje, sairía na rua de suspensórios. calça jeans bege, camisa social amarelo-mostarda e os malditos suspensórios marrons. Fora as desgraçadas meias até a metade da canela. Tá certo que, de calça ninguém nota, mas, porra, já vi a criatura de bermudas. Sapatos marrons. Ele provavelmente era loiro ou até mesmo albino – ele é careca -, não sei dizer. Mas, quando deixava o cavanhaque crescer era uma conclusão perfeitamente plausível. Óculos fundo de garrafa. Ele não é um debilóide. Pelo contrário, extremamente inteligente. Infelizmente, as pessoas se ofendem quando descobrem que uma pessoa é mais inteligente que elas.
    Colocamos o uniforme. Calça social preta, sapatos pretos e camisas sociais vermelhas. Sem gravatas. Saímos do vestiário.
    - Me dá uma dica, Alfredo! - Implorei. Ele estacou. Virou-se para mim com uma cara de impaciência. Parecia pensar no que ia dizer. Não foram nem dois segundos, mas pareceu um minuto para a minha ansiedade.
    - Ok! É sobre a Mônica. Deu! Não falo mais nada! - Agora fui eu quem estacou. De verdade. E nem percebi. Estaria Alfredo pegando a princesinha, a musa, a pequena delícia da loja? “A” Mônica? Nah... Não! Claro que não. Imagina! “HAHAHAHAHAHA”, eu pensava. Até deixei escapar uma risada discreta. Segurei.
    Foi então que a bela estagiariazinha chegou no recinto. Suspiro dos marmanjos a volta. Inveja das cobras e serpentes. Ela estava em cima da hora, então, passou correndo por nós, mas não sem... miar... “ois” para todos. Algumas colegas visivelmente sem sexo caçoavam dos meigos “ois”, outras tomavam conta de seus afazeres, e outras apenas faziam cara de nojo.
    Cinco minutos depois, ela saiu do vestiário feminino. Saia social preta, sapatos de salto – pezinho 35 equilibrando dezessete aninhos com um metrinho e 60 deliciosos centímetros – camisa social feminina branca, infelizmente com todos os botões fechados. A camisa lhe caia muito bem.Na verdade, parecia que tinha sido desenhada nas curvas da bela moreninha dos olhos verdes, pois as acentuava. Era possível ver o sutiã, mas não revelava nada de mais. Ela não era uma puta assanhada. Era uma peça comportada. Mas, para nós, marmanjos, podia ser uma droga de um bege broxante, que veríamos um vermelho de rendinha.
    Assim que a menina saiu dos vestiário, marmanjos surgiram de todos os lados. “oi, Mônica!” acompanhado do melhor sorriso que podiam dar; “Oi guriazinha” e tentavam não babar tanto e, “Está linda hoje, heim! (suspiro)” eram frases já rotineiras que bombardeavam aquelas doces e delicadas orelhinhas. Ela retribuiu os cumprimentos e fugiu deles de forma totalmente descarada, mas mesmo assim, delicada e educada. Só ela conseguiria tal façanha.
    Mônica, Alfredo e eu nos dávamos bem. Pode-se dizer que éramos amigos, pelo menos durante as minhas 8 horas, as 6 do Alfredo e as 4 dela. Eu tenho família. Uma mulher e um filho pequeno. Então, não tenho muito tempo de sobre para sair com o pessoal do trabalho – se tivesse, eu acabaria fazendo alguma merda – ou fazer novas amizades.
    Mônica desfilava em nossa direção, causando inveja dos abutres. Inclusive ciúmes.
    - Oi rapazes! - Ela sorriu.
    - E aí, menina? - Respondi.
    - Tudo bom? - Perguntou Alfredo. Que, em seguida, abraçou-a e lhe deu um beijo na bochecha. Por um breve instante o tempo congelou. Alfredo sempre foi ultra tímido. Nunca tocara nela.
    - Tudo. - Ela respondeu, também estranhando e retribuiu o beijo. Senti olhares de incredubilidade vindo em nossa direção. Estranho como os se homens parecem com mulheres as vezes.
    Batemos um papo rápido e logo começamos nossos afazeres. Assim que Mônica foi para a entrada da loja, tentar vender cartões da mesma, olhei para Alfredo:
    - O que deu em ti? Por essa eu não esperava mesmo!
    - Está só começando. - Falou sorrindo. Um sorriso diferente. Se via determinação ali. Algo que, até então, aparentemente jamais tinha se manifestado naquela carcaça ambulante.
    - Ela só tem 17... Pode dar muita merda pra ti... - Adverti.
    - Não te preocupa. Eu sei o que estou fazendo.
    Cara, eu não sei que livro ele leu ou que palestra assistiu, mas, definitivamente, era outro homemm que estava ali, na minha frente.
     Perto do horário do almoço, a menina dirigia-se até o vestiário. Foi então que aconteceu! Alfredo largou o que estava fazendo na hora e voou em direção a jovem. Eu estava atendendo, então, só consegui ver de rabo de olho. Alfredo parou Mônica e falou-lhe algo no ouvido. Ela fez cara séria e cochichou de volta. O cliente perguntou se eu estava com algum problema. Pedi desculpas e... foda-se voltei a espiar os dois. Ele falou-lhe novamente e... Ela se riu toda! Então, falou mais alguma coisa e deu-lhe um delicioso e carinhoso beijo na bochecha. Assim que mônica entrou no vestiário, eu me desculpei mais uma vez com o cliente, e Alfredo mexia em seu celular. Anotava algo lá. O número do telefone dela! O que veio a ser confirmado mais tarde. O tempo pareceu parar enquanto eu processava aquela imagem. Pareceu, porque o cliente estava se movendo perfeitamente e eu quase o perdi.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

"Algo que você não consegue entender" - Mônica e Alfredo pt.1

        Naquela manhã, Alfredo decidira: “De hoje não passa!”. E não passou mesmo. Lá estava ele, no terraço do maior prédio da cidade F, adimirando, o belo pôr-do-sol, a bela vista da bela lagoa e, o melhor, a bela – e jovem – morena de curvas graciosas, olhar inocente, e objeto de cobiça de todos os marmanjos da loja de departamento F, cuja a graça é Mônica.
        O pior é que Mônica é uma “mulher falsa”. Não como personalidade. Não! Longe disso... É um doce de menina. Mas essa é a sua falsidade. Menina. Mônica, apesar de possuir 80cm de busto, 70cm de cintura e 100 (cem) centímetros de quadril, possui dezessete aninhos. Mônica é a estagiária, de nível médio, da empresa, apontada pelo SINE. Mas o que estaria ela fazendo ali com Alfredo, cerca de 20 anos mais velho. Não quero me identificar, mas eu sei o motivo.
     Alfredo, 36 anos, solteiro. Mora nos fundos da casa de seus pais, Dona Aurora e seu Afonso, 66 e 70 anos respectivamente. Nenhum irmão ou irmã, nem amigos ou amigas, exceto eu, que, digamos, sou seu mais próximo colega de trabalho, junto de Mônica.
        Naquela manhã, Alfredo acordou diferente. Estava cheio de energia. Percebi assim que eu atendi o telefone.
         - Fala meu camaradinha! - Resplandeceu Alfredo.
      - Alfredo? - estranhei. Dei o meu número a ele a mais de cinco anos e ele nunca tinha ligado. - C-Como é que estás? - gaguejei.
        - Tranquilo... Vamos tomar um café?
       - Ué... Vamos... - Estava em meu kit net sem nem um farelo de pão. Esquecera de comprar no dia anterior. - Onde?
        - No bar da Clô, pode ser?
        - Claro.
        - Tô saindo de casa!
    - Até... - Fiquei segurando o telefone por alguns segundos, ainda surpreso, até que coloquei-o no gancho. Escovei os dentes e saí. (já estava arrumado)
        O café da Clô fica na esquina do prédio da empresa. É mais perto da minha casa, mas, para a minha surpresa, Alfredo já estava lá. Pensei: “Usou o celular, claro.” depois lembrei que não havia “barulho de rua” durante a ligação, o que não seria possível, uma vez que a rua está movimentada e o café, cheio.
         Entrei.
        - E aí, cara? Como é que está? - Levantou-se e apertou a minha mão.
        - Tudo bem, Alfredo. Que energia é essa?
        - Acordei de bom humor. Aliás, estou decidido a fazer uma coisa! E de hoje não passa!
        - O que seria?
        - Verás daqui a 10 minutos lá na F.
        - Vai se demitir? Eu também faria já que o Farias é um filho duma...
        - Nada haver com aquele broxa do Farias... - Ele falou, me interrompendo e começou a rir.
     A garçonete chegou. Bonita a menina, mas muito mal cuidada. Olhos verdes, cabelos negros, provavelmente longos – devido ao tamanho do coque – seios grandes, mas quadril reto... Perdi o interesse.
       - O que vai ser, rapazes? - Falou e sorriu querendo ser simpática, mas constrangida, já que o Alfredo não parava de rir.
      - Eu quero um café e uma torrada simples. - Olhei pro Alfredo e ele ainda ria. - Ele vai querer um café e...
        - San-Sanduíche... - E voltou a rir. Eu nunca tinha visto ele rir assim. Isso que fazem cinco anos que trabalhamos juntos.
        - Sanduíche de presunto? - Perguntou a menina. Provavelmente insunando um tipo pra que ele pelo menos concordasse assentindo para que a efetuação do pedido na nossa mesa agilizasse um pouco, uma vez que, com o café lotado, já haviam mais umas três pessoas erguendo o braço pedindo atendimento.
         E eu não fazia idéia do que ele tanto ria.
       - Isso... Isso... Isso... - Ele falou entre risadas e gargalhou no final. A moça saiu dizendo que voltava em breve e eu já estava ficando constrangido, porque as pessoas passaram a olhar intrigadas para a nossa mesa. Eu sabia que a história da brochada do Farias era algo legendário, mas... Depois de quatro anos de desventura contada e recontada, ela perde um pouco a graça.
        Um pouco.
       Quase um minuto depois, ele se acalmou e, então, consegui uma resposta sobre o motivo da risada.
       - É bem estúpido – Ele ainda sorria – Mas é que o Broxa – ênfase aqui – do Farias, não Farias – fez aspas com os dedos – nada. - A piada foi boa... É... Mais ou menos...
        Eu ri.


(Continua)