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domingo, 7 de setembro de 2014

Haikais (um teste)

O tapa
do anúncio
da vida

O anúncio
da vida
após os tapas

Durante a vida
os tapas
Sem anúncio

domingo, 11 de maio de 2014

Contemporaneidade Esquizofrênica II

saber que os outros estão errados não te faz honesto
não acreditar no noticiário não te torna mais esperto
nunca desistir não é persistência
a longa espera não é paciência

usar a mesma roupa não te torna igual
ser excluído não te faz marginal
acreditar em Deus não te torna puro
desprezá-Lo não é obrigatoriamente sujo

nem santo nem profano

somos fixos e fluxos
dentro de uma esfera

e nada mais nos resta

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Noite Chuvosa

Cada gota de chuva
que estoura na janela
é o grito inaudível
das almas desertas

É o fogo líquido que sobe à garganta
É a água sólida que corre pelas veias
E o vento terroso que preenche o peito com vazio

Que eclode na garrafa
e evapora
e vira fumaça

O que sobra
precipita em linhas do silêncio
e torna-se
cinzas

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Em preto e branco

As palavras escorriam-lhe pelo corpo
da menina a regar o chão inóspito
com o sangue e a alma
da arte agonizante
dos poetas falidos

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Vida

Ninguém tem medo da morte
Apenas não se faz ideia do que existe
no fim do túnel
quando o gelo e o torpor
trespassam o coração
e desgarram da carne
a frágil alma demente

O desespero de não saber para onde se vai...

As teorias não levam a nada
As crenças levam para todo lado
o bem e o mal
o bom e o mau

A única certeza é a dúvida
e no dia em que ela terminar
assim também findará
a vida

terça-feira, 25 de março de 2014

Comoção na casa de cera

Portas e janelas estão trancadas
dentro daquela casa de cera

Os gritos que ecoam
não são ouvidos pelas orelhas de macaco
mortas e empalhadas
ostentadas nas cabeças
das mulas de carga

Um baque surdo
um urro abafado
sangue derramado
sobre mais um
sapatinho puído
número vinte e oito

segunda-feira, 10 de março de 2014

Contagem de Mortos

Talvez nós precisamos
de mais uma guerra
Com uma contagem de mortos
de 100%

60% de filhos da puta
40% de homens bons

E entre eles
Um ou Dois
Jesus

domingo, 2 de março de 2014

Sonho

the moonlight sways over the sea shores
while stars are blazing high above the diamond trees
in a timeless merry-go-round
which where, who and when doesn't make sense anymore

The dead were reanimated on the soil of nothingness
and then
became to be
yesterday
in a future that is yet to be foreseen

From the skies
the waters had been fallen
eliminating every drop of flame

which fed from the logs 
of a sleeping mind

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Covardia

São cinco da manhã
O mundo começando a se mexer
e eu de cuecas
escrevendo poemas
rezando para que
o ventilador de teto
caia sobre a minha cabeça

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

sábado, 21 de dezembro de 2013

domingo, 1 de dezembro de 2013

Biografia

Me pediram uma
biografia
em cinco
linhas

Usei duas
e já tinha escrito
de mais

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

máquina social

A locomotiva come os trilhos em alta velocidade
O maquinista está de braços cruzados
fumando seu charuto cubano
dose de whisky
sem gelo
na mão

Negros fortes como touros alimentam a fornalha
Sob o açoite do capataz
por vezes arremessando partes de seus corpos
confundindo com o carvão

Brancos pulem e lubrificam as engrenagens
Elas estão debaixo dos seus bancos
de passageiros
deixam o dinheiro de lado
e só enxergam os mecanismos

Em frente há uma curva fechada
uma índia está amarrada aos trilhos
religiosos de todos os credos
fazem suas preces em uníssono
A mulher se debate chora suplica sangra
O maquinista sorri e dá o sinal
E a locomotiva acelera

sábado, 16 de novembro de 2013

Ventos da Rotina

Queria estar fora dali
mantinha os olhos abertos
sonhando com uma bebida em sua mão
e uma mulher enroscada em suas pernas

Enquanto o vento soprava com força
arremessando-lhe partículas de areia na cara
formando dunas sobre seu ego
carregando a química industrial
direto para seus sonhos

Diziam-lhe que deveria viajar
Diziam-lhe que deveria ver o mundo

A natureza e todas as suas cores...

...

O que predominava era o cinza e o bege

...

E o espetáculo da natureza que tinha para assistir
eram dois cães transando


Pareciam ser machos

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Chuva

Naquele dia não chovia
O sol estava encoberto
As nuvens carregadas
Os raios riscavam os céus
E os trovões compunham a sinfonia

Naquele dia o céu não chorava
Os pássaros piavam e grasnavam
protegidos em seus ninhos
tomando conta de seus filhotes

Naquele dia não pingava
A vida derramava pela ampulheta
e escorria pelo ralo da sarjeta
Entupindo-o de lama e sujeira

Naquele dia não chovia
Naquele dia não pingava
Nem o céu chorava

Naquele dia Ele mijava
sobre nossas cabeças

sábado, 2 de novembro de 2013

As janelas berram

As janelas são amplas
e o inquilino é mórbido

As janelas berram
guturais que lhes sobem do fundo do estômago
Quebram  os vidros  racham as paredes

E ninguém ouve
E ninguém escuta

A porta está trancada
fechada para dedetização

As janelas berram
Mas o inquilino está morto

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Traído

Os meus olhos me traíram
e eu caí nessa imensidão
Doce mel do polem
profundo espinho da rosa

Uma fortaleza me cercava
feita de areia da praia
fora destruída pelas ondas
dos teus beijos
da tua carne
da tua'lma

Juro que recolhi a ponte
que arremessei os crocodilos ao foço
e enquanto escalavas as muralhas
com escadas improvisadas
eu despejava o óleo fervente

Os teus olhos me invadiram
Os meus olhos me traíram

Doce Armadilha
Doce paixão

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Parábola

De que me adianta o olhar expressivo
Se ele se comunica por parábola?

E a língua adormece
com a boca congelada

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O Suplício da Insegurança

A insegurança assola as almas perdidas
e danifica a mente que perde a vida

O coração que bate acelerado
lançando cubos de gelo
no sangue amedrontado

O calor se esvai por feridas na alma
gela o corpo
derrete o ser
E o que resta é a carcaça esfarrapada e maltrapilha
que anseia pelo dia de amanhã
E as palavras mudas que retumbam em sua cabeça
escorrem pelo ralo de seu âmago
despejando-se n'ontem
Suplicando pelos rumos

de todo o instante

sábado, 5 de outubro de 2013

As formas e linhas da vida

Transcreva as formas e linhas da vida e torne-se um poeta
Admire-se com o belo e com o nunca visto antes

Se apaixone e diga a todos o quanto isso tudo vale a pena

sinuosamente

Decepcione-se, pois nada passa de filosofia de boteco
Profetizadas por quem nunca sentiu a ardência no estômago
por quem nunca esteve na beira do abismo da insanidade
Os verdadeiros dementes
Tomadas como verdades absolutas
e disseminadas como vírus

Exile-se e derreta o seu cérebro com a chama mais fulgurosa
com o líquido mais ácido

Tenha rancor
guarde mágoas

Transcreva as formas e linhas da vida e
finalmente
torne-se um poeta