terça-feira, 26 de junho de 2012

Perdido

A janela me mostra as grades
O vasto contido
E o que contém

Sentado nesta cadeira
Que range a cada movimento
A fraca luz do final de uma tarde
Véspera de outono
Vendo os galhos se mexerem
A cortina balançar
E as folhas secarem e caírem

O rádio ligado
Tentando gritar mais alto que o cortador de grama do vizinho
Sem interferir na dor de cabeça
De um dia na clausura

As nuvens se acumulam no céu
Trazendo a noite precoce
E rostos que me traduzem
Exatamente o que Ele pensa de mim

Retribuo a gentileza
Mas o que me resta é uma tela
E apenas uma dúvida

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A nossa propaganda

Abençoai Deus estas terras por ti criadas
A exuberância do verde
O símbolo da vida
A água que corre nas veias da terra

O martelo bate com força
De mil bombas de Nagasaki
Drenando o solo com suor humano
E gotas de óleo

Minhas mãos sem calos prestam uma homenagem
Para a força do vento e o som da mata
Ao azul do mar e o brilho da água

A venda do que é nosso
Com sangue conquistado
Terror espalhado
Um pedaço cercado
Do sempre foi
E nunca mais será

Sem remorso
Sem desgosto

A pura propaganda

Vendida na bandeira
Ensinada no primário