domingo, 27 de novembro de 2011

"Algo que você não consegue entender" - O médico pt.4

      Após assistir, divertindo-se, a menina tomar em segundos toda a garrafa d'água, Gabriel perguntou:
      - Qual o seu nome?
      - Sara.
     - Que nome magnífico! - Sara não comentou – Você é linda, minha querida... - Sara voltou a chorar – Ora, não chore... O Que houve? - Sara começou a chorar mais sofridamente. Um choro de profunda tristeza, desespero, angústia, sofrimento e uma pitada de raiva – Diga-me, o que há?
      - COMO O QUE HÁ?! COMO O QUE HÁ?! - Sara gelou. Não acreditava no que tinha feito. Era o seu fim...
      Gabriel começou a rir. Foi aumentando até virar gargalhada.
      - Calma, minha querida... Calma... - Foi se aproximando da menina. S cabelos negros lhe caiam na frente do rosto. - Vou resolver tudo agora mesmo. - Sussurrou em seu ouvido.
      Botou a mordaça na boca da menina, que voltou ao seu choro. Levantou-se e foi à dispensa. Pegou uma faca com doze centímetros de lâminia e um pano.
      A visão da faca foi o gatilho pressionado que disparou seu nível de desespero ao máximo. Estaria berrando para ser ouvida a quilômetros de distância, se não fosse a maldita mordaça. Chorava. A cada passo de Gabriel em sua direção aumentava o volume das lágrimas exponencialmente.
      Gabriel chegou ao lado da banheira e encostou a faca no ombro de Sara.
      - Shhh! Se você se mover, eu vou acabar te cortando, entendeu? Essa faca é muito afiada... - pegou uma pequena mecha de cabelos da menina e passou a faca. Mostrou o punhado de cabelos para ela. - Viu? Agora fica paradinha... - E foi para trás da moreninha.
      Puxou a gola da camiseta dela e passou a faca no tecido.
      - Me desculpe se eu machucar o seu pescoço, não é a minha intenção. É que essas roupas estão atrapalhando.
      O tecido ofereceu uma certa resistência, porque Gabriel não queria machucar a menina, mas na quinta tentativa, ouve-se um “rasg” e as costas da camiseta se rasgam. Gabriel foi para o lado direito de Sara, apoiou as costas da lâmina no braço da menina e começou a forçar contra o tecido. Dessa vez não fez muito esforço e o tecido se rompeu. Já tinha pego a medida certa. Repetiu o processo do outro lado.
       Tirou os restos de tecido do que uma vez fora sua camiseta. Agora, as única peça que cobria a parte de cima de seu corpo era um top para ginástica e seus cabelos.
      Sara, nesse momento, começou a rezar.
      Pedia para que o desgraçado a estuprasse e a deixasse ir embora. Ou que fizesse o que fosse, não se importava mais, mas que a deixasse viva. Tanto faz. Só queria viver. Ir para casa. Não cogitava denunciá-lo. É isso. Daria sua palavra de que não chamaria a polícia. Só queria ir para casa. Diria que fora agredida por lunático, desmaiou e acordora assim em um campo, em um terreno baldio. Casa...
      Casa...
      O tarado foi até seus pés e tirou seus tênis e meias. Ele puxou a barra de suas calças pelos joelhos, para cima, com o intuito de tirar a barra das calças de baixo das cordas que amarravam suas pernas. Começou a cortar a da perna esquerda, pelo lado de fora da perna.
      Sara sentia o frio das costas da lâmina da faca. Sentia o frio da porcelana em suas costas. Rezava mentalmente. Tentava falar, mas a mordaça não deixava. E o lunático parecia não se importar se ela tinha ou não algo a dizer. Não chorava mais. Se surpreendeu. Talvez as lágrimas haviam secado.
      - Temos que nos livrarmos dessas calcinhas e desse top agora. - Gabriel falou, assim que terminou de cortar as calças. Sara sentia um nojo profundo do agressor. Começou a gritar. Nada adiantava, é claro, mas tinha raiva do maldito.
      Gabriel voltou às costas da morena e cortou a alça direita da calcinha rosa. Fez o mesmo pelo outro lado. Já com o top, cortou as duas tiras que formavam um X nas costas, na altura do pescoço e depois cortou a tira mais grossa que prende o top ao corpo na horizontal também pelas costas.
      Tirou todos os restos de roupas de dentro da banheira e jogou-os em direção a dispensa.
      - Você é realmente linda, Sara. Muito, muito, mas muito linda! De verdade! Estou fascinado por você! Isso é privilégio de poucas, sabia? - sussurrou olhando-a nos olhos. - Quero você para mim. Para todo o sempre!
      Então, Gabriel, lentamente, enfiou a faca no abdome da jovem, que gritava, abafada pela mordaça. Repetiu o processo mais duas vezes, dessa vez na coxa direita e depois na panturrilha esquerda. A menina chorava. Se retorcia. Urrava
      - Agora vai passar, meu bem. Vai passar... Shhh... Pegou o pano que a amordaçava e a estrangulou. Assim que desfaleceu, ele continuou com a penetração da lâmina.
       Não contou o número de vezes
      Seu corpo foi encontrado – 2 dias depois - numa vala na estrada que faz a ligação com a cidade vizinha mais próxima. Estava nua e com inúmeras perfurações de quase 3cm de espessura por 12cm de profundidade, espalhadas por todo o corpo, menos rosto, seios e genitália.
      O fazendeiro que a encontrou disse à polícia, em seu depoimento, que na manhã daquele dia, por volta das cinco da manhã, os cachorros não paravam de latir e ele resolveu levantar, com arma em punho, para averiguar o que poderia ser. Sua primeira reação foi um choque, mas ao “cair a ficha” chorou. Voltou correndo para casa, chamou a polícia e rezou... Suplicou, na verdade, para que o... Agressor, pelo menos, tenha a estrangulado antes de fazer as perfurações.
      Não havia sinais de estupro.




FIM





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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"Algo que você não consegue entender" - O médico pt.3

    O cabelo da bela morena estava despenteado e preso em um rabo de cavalo. Gabriel, com cuidado, soltou o cabelo da moça e guardou o rabicó no bolso do tapa pó.
    Tirou a luva direita e tocou o rosto da jovem. Liso. Macio. Quente. Suave. Perfeito. Baixou a máscara até o queixo.
    - Hey, menina. Acorde. Acorde... - Gentilmente ele dava alguns tapinhas no lado não escoriado de seu rosto. Não obteve resultado. Se levantou “Ah, se aquele miserável quebrou alguma coisa... Eu juro que mato o infeliz! Eu juro!”, pensava alto. Foi até a bateria e pegou o banquinho. Colocou ao lado da banheira, ajustou-o para ficar um pouco mais alto, sentou-se e tentou acordar a moça novamente.
Dessa vez, Gabriel foi menos gentil. Com a mão direita, empurrou a menina, fazendo-a balançar e repetiu um pouco mais alto os “Acorde's”.
    Agora deu resultado. A menina gemeu e lentamente abriu os olhos. Tentou se mexer. Não conseguia. Arregalou os olhos. Perdida, olhava em todas as direções, mas só conseguia ver a gelada louça branca. Tentou falar, mas com a mordaça em sua boca só se ouvia “mmmff! Humpf!”. Desesperada, começou a chorar. Quando Gabriel a tocou ela estremeceu e ampliou o seu choro acompanhado de um suplício abafado.
    - Calma... Calma... Está tudo bem... Vai ficar tudo bem... Venha... Deixe-me ajudá-la. Vou ajuda-la a se sentar, tudo bem? - Falava com uma voz doce e suave.
    A menina balançava a cabeça como quem disesse “não”. Gabriel não se incomodou com as negativas dela, agarrou-a por baixo dos braços e sentou-a encostada na ponta da banheira.
    - O meu nome é Gabriel. Eu sou médico. Não se preocupe. Aquele brutamontes vai pagar pelo que fez em você, tudo bem? - falva olhando-a serenamente nos olhos.
    A moreninha tinha um olhar aterrorizado esculpido na face. Era tocante ver o nível de medo que uma pessoa podia expressar apenas com os olhos. As lágrimas não paravam de jorrar dos olhos. Tremia dos pés a cabeça. Respiração descompassada. Não respondeu a pergunta.
    - Está com sede?
    Agora respondeu. Ascentiu com a cabeça, enquanto apertava os olhos, fazendo mais lágrimas espirrarem.
    - Já volto. - Gabriel foi até uma segunda porta que tinha no recinto. Era como se fosse uma dispensa na parede. Apanhou uma garrafa d'água e um canudo. Abriu a garrafa e colocou o canudo.
    - Eu vou tirar essa mordaça, ok?
    Ela ascentiu. Devagar, Gabriel puxou a mordaça e soltou-a. O trapo ainda estava preso no pescoço da jovem.
    - Me ajuda, moço, pelo amor de Deus! Me ajuda... Me ajuda! - Gabriel chegou com a garrafa próxima dos lábios da jovem. Ela começou a sorver a água através do canudo, mas antes de chegar a boca ela interrompeu a ação.
     - Pode confiar em mim. Veja. Não tem nada na água. - Gabriel bebu um bom gole. - Viu? - Abriu a boca mostrando que tinha engolido.
    - Por que não me desamarra? - Perguntou assustada.
    - Já vou fazer isso, minha querida. Seja paciente.
    Então, sorriu.





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